Biovert inicia projeto de recuperação ambiental no Canal de Marapendi; entenda etapas

A Biovert, em parceria com a SOS Lagoas, iniciou em meados de Setembro um trabalho de recuperação ambiental às margens do Canal de Marapendi, na Barra da Tijuca. A iniciativa, custeada por meio de compensações ambientais, tem o objetivo principal de revitalizar o local substituindo a flora exótica invasora por vegetação nativa.

O CANAL DE MARAPENDI

Atualmente, a região do Canal de Marapendi pode ser caracterizada pelo predomínio de espécies arbóreas exóticas, junto com o descarte de lixo doméstico em suas margens.  O trabalho será realizado em etapas, sempre acompanhado de perto pela SOS Lagoas, parceira responsável pela promoção de informações à população por meio da educação ambiental e aclaração do procedimento ambiental que se inicia. Palestras junto à comunidade e ações de educação ambiental irão acompanhar a realização do trabalho, em busca de total transparência e respeito à comunidade, que ainda contará com placas informativas distribuídas pelo canal.

COMO IRÁ FUNCIONAR ESTE TRABALHO?

ETAPA 1 – Inventário de Flora e Inventário de Fauna

A Biovert iniciou o inventário de flora e fauna nas margens do canal. Este trabalho consiste em visitas da equipe de engenheiros florestais e biólogos ao local para identificação e catalogação de espécies de flora e fauna identificadas na área a ser recuperada. Para a correta execução de um serviço de inventário, são realizadas marcações em árvores, com lacres de cor vermelha contendo uma marcação. Isto significa que cada árvore marcada foi analisada e identificada pela equipe.

De posse dos registros, é realizado um relatório a ser entregue ao órgão ambiental, permitindo que, com base nesse diagnóstico, possam se definir as ações que serão desenvolvidas, com detalhamento das espécies exóticas invasoras que serão substituídas por espécies nativas.

Além disso, respaldados na experiência ambiental já consolidada da Biovert, realizaremos estudos e análises preliminares acerca de espécies botânicas atrativas à fauna no entorno, para que sua introdução favoreça o fluxo gênico entre áreas de remanescentes florestais e a biodiversidade local. Isso permitirá que sejam atraídas para o Canal de Marapendi espécies faunísticas nativas que atualmente não encontram alimentos no local, portanto, não são identificadas na região, sejam elas pássaros, mamíferos, insetos e outras.

ETAPA 2 – Substituição de espécies exóticas por espécies nativas

Nesta etapa, ocorrerá a remoção de espécies exóticas de pequeno, médio e grande porte, com a subsequente limpeza do local, destoca de raizeiros, abertura de berços de plantio e adubação para a finalidade de preparar o local ao recebimento de mudas nativas adequadas à restauração ambiental da área.

A restauração florestal a partir da substituição das espécies arbóreas exóticas consiste na reabilitação de uma determinada área através do plantio de espécies nativas, com o objetivo final de reconstituir e garantir a manutenção da biodiversidade local e dos processos a ela associados, tais como ciclagem de nutrientes, ciclo da água, ciclo do carbono, entre outros.

A utilização de espécies nativas de diferentes grupos ecológicos, adaptadas à região, favorecerá a manutenção de processos ecológicos importantes para a qualidade de habitat, propiciando a  dispersão de sementes e a polinização. Como resultado final, é esperada a atração de espécies de fauna nativa à região do canal.

Será entregue um relatório técnico de implantação contendo, entre outras informações, todas as espécies utilizadas no local, com seu georreferenciamento e registro fotográfico.

Etapa 3 – Manutenções por um período de 1 ano

A manutenção será executada pelo período de 1 ano após o plantio e contemplará 3 intervenções, sendo as mesmas quadrimestrais. Durante esse processo a equipe da Biovert irá realizar o tutoramento de mudas, limpar rebrota de vegetação exótica, substituir mudas que eventualmente não resistam ao procedimento de plantio, adurar a cobertura das mudas, entre outras medidas que objetivam assegurar bons resultados ao projeto.

Ao término do período de manutenções, a Biovert entregará o relatório final do projeto.

QUAL SERÁ A ÁREA DE ALCANCE DO PROJETO?

A área na qual serão concentradas as atividades está subdividida em trechos de 1 a 7, contemplando as duas margens do Canal de Marapendi, com exceção do trecho 1 que contempla apenas a margem esquerda. A distribuição segue a figura abaixo.

Trechos dos canais nos quais serão realizadas as atividades propostas distribuídos pela Avenida Mário Veiga de Almeida, Avenida Grande Canal e pela Avenida Pref. Dulcídio Cardoso.

HAVERÁ CORTE DE ÁRVORES?

Sim, por isso a explicação a seguir. Temos hoje três grandes fatores para perda de Biodiversidade: o desmatamento, a expansão urbana (legal e criminosa) e as espécies exóticas invasoras (já explicamos neste post e neste também o que são espécies exóticas invasoras).

 Diz o novo Código Florestal (L12.651/12):

O Código Florestal, em seu artigo 3º, indica o procedimento acerca de espécies exóticas invasoras; “erradicação de invasoras e proteção de plantios com espécies nativas”.

 A substituição de espécies exóticas invasoras é um projeto muito antigo na Secretaria de Meio Ambiente, que, agora, acenou com o comprometimento de atuar para que esse problema seja, finalmente, atacado. O primeiro passo para que isso ocorra é o Inventário de Flora e Fauna. De posse desse documento o órgão poderá saber com precisão as espécies de fauna e flora presentes no local. A partir dessa informação, haverá um encaminhamento a Secretaria de Meio Ambiente para que se possa elaborar o projeto de substituição dessas espécies por outras que sejam nativas, típicas da região e que sejam aptas para o local.

Uma vez feito isso, será elaborado um cronograma  físico de como o serviços de substituição será conduzido, sendo que todas esses informações serão repassadas aos condomínios, associações e a Câmara Comunitária, garantindo transparência e inclusão ao processo. 

ESTE PROCEDIMENTO É LEGAL?

Sim, conforme licenças concedidas pelo órgão ambiental do município e autorização de manejo, devidamente descritas em processos de compensação ambiental.

O objetivo é que com esse trabalho possamos garantir, como preconiza  o Artigo 225 da Constituição Federal:

Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.

    § 1º Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao poder público:

        I –  preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo ecológico das espécies e ecossistemas;

        II –  preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do País e fiscalizar as entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de material genético;

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