Obrigado, Major Archer

Major Archer. (Foto: Biblioteca Nacional)

É verdade que uma muda de árvore pode demorar décadas para se tornar grande a ponto de saltar aos nossos olhos. Apesar de muito importante, o trabalho de reflorestamento parece caminhar mais lentamente do que gostaríamos e travar conosco uma briga pelo tempo. Pois saiba que há exatos 153 anos alguém começou um trabalho que hoje beneficia a cidade do Rio de Janeiro como um todo.

Era 4 janeiro de 1862 quando o major Manoel Gomes Archer semeou as primeiras mudas no replantio da Floresta da Tijuca. É isso mesmo: a maior floresta urbana do planeta foi totalmente recuperada há um século e meio.

História

Na primeira metade do Século XIX a Floresta da Tijuca era ocupada por chácaras de veraneio da elite carioca e por plantações de café. Não por coincidência, na época a capital do Império enfrentou sua primeira grande crise hídrica. Sem as árvores compondo a área, a erosão do solo aumentou muito, os mananciais secaram e muito barro desceu da floresta pelos córregos e rios, tornando a água que alcançava a cidade imprópria para consumo. A falta de água ameaçava a população. Em 1861, as florestas da Tijuca e das Paineiras foram declaradas por D. Pedro II como Florestas Protetoras.

Placa na Floresta da Tijuca traz o nome do Major Archer. (Foto: Pedro Rocha)

À época, o Imperador procurou o major Archer – que possuía uma fazenda em Guaratiba, Zona Oeste, onde mantinha mudas de espécies nativas – e determinou que a área fosse recuperada. Não foi tarefa fácil negociar com a nobreza, que ocupava amplas faixas de terra na região com suas chácaras, mas D. Pedro II contou com a ajuda do então Ministro dos Negócios, Luís do Couto Ferraz, o Visconde de Bom Retiro, para conduzir o complicado o processo.

Superada a etapa política, o replantio foi um sucesso. Durante 13 anos foram devolvidas à área 100 mil mudas, a maioria nativa de Mata Atlântica. O Major Archer contou com um grupo de pessoas, entre escravos, assalariados, alguns feitores e encarregados. Hoje temos orgulho de abrigar a maior floresta urbana do mundo. Ela é a prova viva de que o reflorestamento é o melhor legado que podemos deixar para as próximas gerações.

Quando vir uma muda de árvore sendo plantada, pense que ela é um pequeno grande passo para a sua cidade. E, agora que você conhece o Major Archer, ajude a espalhar essa história tão interessante sobre a Floresta da Tijuca.

O Parque hoje

Em 1961, o Maciço da Tijuca – Paineiras, Corcovado, Tijuca, Gávea Pequena, Trapicheiro, Andaraí, Três Rios e Covanca – foi transformado em Parque Nacional, recebendo o nome de Parque Nacional do Rio de Janeiro. Seis anos depois, em 8 de fevereiro de 1967, seu nome foi definitivamente alterado para Parque Nacional da Tijuca e, em 4 de julho de 2004, um Decreto Federal ampliou os limites do Parque para os atuais 39,51 km², incorporando locais como o Parque Lage, Serra dos Pretos Forros e Morro da Covanca. São quatro séculos de patrimônio histórico-cultural da cidade do Rio de Janeiro guardados entre as árvores.

 Fontes:
http://rio.ig.com.br/2012/01/11/a-historia-pouco-conhecida-do-major-archer-um-heroi-nacional/
http://www.parquedatijuca.com.br/historia

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