A volta das Nativas

A volta das nativas

Jornal O Globo-Barra. Publicado em 16/10/14. Transcrição na íntegra da matéria.

Trabalho coordenado pela prefeitura restaura biodiversidade natural da vegetação da orla carioca

 A vegetação da orla carioca está ganhando nova cara. Ou melhor, está retomando suas características originais. Por meio de medidas compensatórias, a Secretaria municipal do Meio Ambiente coordena ações de restauração de plantas nativas nas praias da cidade. Na Barra e nos arredores, a etapa mais recente acaba de ter início: em Grumari, a recuperação começou na semana passada. Já nas praias da Barra (postos 1 e 2), da Reserva e da Macumba e na Prainha, o trabalho está avançado, em fase de manutenção, com a implantação já concluída.

Na semana passada, quando O GLOBO-Barra foi a Grumari, os 12 funcionários que realizam o trabalho estavam removendo as espécies invasoras capim-colonião, leucena e cheflera. Esta semana, começou o plantio, logo após a Praia do Abricó, de ingás-da-praia, abaneiros e maçarandubas — todas ameaçadas de extinção no Rio — e também de pitangas, canudos-de-pito, comandaíbas, embiruçus, bromélias, pitangas-negras e praguás. A previsão é que o trabalho dure dois anos e custe entre R$ 900 mil e R$ 1 milhão. Magno Rodrigues, engenheiro agrônomo da Biovert, empresa contratada pela prefeitura para executar o serviço, explica que o processo é demorado: passa pelas fases de definição da área, retirada da vegetação invasora, cercamento, plantação das espécies nativas e manutenção.

Segundo Marcia Botelho, gerente de gestão de unidades de conservação da SMAC, a cautela na restauração se explica pelas características das plantas próprias da orla:
— A vegetação da orla é muito adaptada. A condição é difícil, devido ao solo arenoso, o sol, o sal e o vento forte. É um grupo muito pequeno de espécies que resiste. É a chamada vegetação reptante.

As mudas de restinga usadas no projeto de restauração vêm de dois hortos municipais mantidos pela SMAC, no Bosque da Barra e em Grumari, onde são produzidas 23 espécies nativas. Além das plantadas em Grumari, também são desenvolvidas ipomeias, feijõesda-praia, guriris, pitangueiras, amarílis e cactos. A substituição da vegetação chamada exótica pela original traz uma série de benefícios, explicam os especialistas, como o retorno da fauna original, a prevenção contra pragas e a melhoria do clima. Segundo Magno Rodrigues, a chegada destas plantas ocorre por uma série de motivos.

— Nossa orla foi, em grande parte, aterrada. Então, aquela grama tradicional, não nativa, era plantada, ou chegou ali pelas fezes de pássaros que comem sementes ou com o vento. Entre as espécies exóticas mais comuns estão casuarina, amendoeira e coqueiro — diz ele, destacando que a casuarina é uma das mais agressivas.

A história da restauração teve início em 2000, quando pequenas iniciativas foram realizadas na Reserva, numa parceria entre a SMAC e frequentadores e surfistas. Em 2002, foi lançado o Eco Orla, projeto maior e consolidado pela secretaria, que recuperou uma área de 7km de extensão da praia. Em 2011, com a necessidade de reinserção e manutenção da vegetação original, foi criado o Parque Municipal Nelson Mandela. Desde então, o trabalho foi sendo levado a novos trechos da orla. A atuação vai se expandindo ao passo que recursos são obtidos por meio de medidas compensatórias. A rede Hyatt, que está erguendo um hotel na Reserva, foi uma das empresas que arcaram com a plantação de novas mudas por este motivo.

Em nota, a Hyatt afirmou ser comprometida com medidas que minimizem o impacto ambiental de seus negócios. No terreno de 45 mil m² adquiridos pela rede, 18 mil m² serão ocupados e o restante, preservado ou recuperado.

Um cálculo complexo, que depende de variáveis como o número de árvores a serem plantadas, seu tamanho, sua altura e sua espécie, determina o quanto a empresa deverá plantar e qual será o custo da medida compensatória.

Related Post