restauração florestal com espécies nativas

Artigo: diversidade de espécies lenhosas para restauração da Mata Atlântica

*Por Ursula Taveira D. da Cruz Machado¹, Sérgio Ricardo Sodré Cardoso², Tânia Sampaio Pereira²

A Mata Atlântica está entre os cinco hotspots mais ameaçados do mundo. Atualmente, sua extensão equivale a 12,5% da cobertura original, isso, somando-se as áreas remanescentes aos fragmentos maiores que três hectares. Esse bioma é extremamente importante para o país devido ao PIB produzido e à prestação dos serviços ambientais para a população que vive em seu domínio. A restauração ecológica se apresenta como uma medida necessária e emergencial não apenas para reduzir os impactos negativos resultantes da degradação ambiental, mas também em prol do bem-estar da sociedade e da conservação da biodiversidade.

Diversas são as técnicas possíveis de serem implantadas, porém a mais utilizada é o plantio de mudas. A produção de mudas é uma estratégia importante para a conservação uma vez que resgata a biodiversidade local, reintroduzindo espécies e genes ao ambiente, além de ser uma fonte de renda alternativa para proprietários rurais com tradição agropecuária.

Este trabalho preparou uma lista de espécies lenhosas nativas da Mata Atlântica do estado do RJ, testadas e produzidas em um viveiro particular no estado a fim de fornecer informações sobre essas espécies e com isso facilitar a tomada de decisão quanto à seleção das espécies a serem utilizadas em projetos de restauração ecológica. Foram listadas 281 espécies, subordinadas a 172 gêneros e 55 famílias, sendo 122 endêmicas do Brasil, 10 endêmicas apenas do estado do RJ e 51 ameaçadas de extinção.

A demanda do mercado por diversidade de espécies é baixa e irregular e paralelo a isso ainda há a falta de fiscalização que gera concorrência desleal entre viveiros. Ao associarmos a diversidade vegetal apresentada, a dificuldade na aquisição de sementes e a falta de cobrança dos Órgãos Públicos na utilização das espécies mais adequadas para cada situação a ser restaurada, veremos que será praticamente inviável fazer uma restauração que produza uma floresta com capacidade de auto-manutenção. Com isso, é necessário o desenvolvimento de políticas públicas que facilitem a dissolução dos gargalos da produção e torne uma exigência legal a valorização da biodiversidade em projetos de restauração.

Palavras Chave: Diversidade, Espécies lenhosas, Restauração, Mata Atlântica, Rio de Janeiro.

¹ Bióloga – Biovert Florestal e Agrícola Ltda., ² Biólogo – Jardim Botânico do Rio de Janeiro

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