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Parque do Flamengo Perde Árvores. Por Emanuel Alencar, do Projeto Colabora

Transcrição na íntegra de notícia publicada  por Emanuel Alencar 17 de outubro de 2016, 16:12, em http://projetocolabora.com.br/cidades/parque-do-flamengo-perde-arvores/

A mais nova radiografia de uma das áreas públicas mais queridas pelos cariocas mostra que o Parque do Flamengo perdeu 17% de árvores em três décadas e convive com baixa diversidade na flora e uma preocupante escalada de espécies consideradas problemáticas por especialistas: das 9.930 árvores espalhadas por uma área de mais de um milhão de metros quadrados, 1.162 (ou 11,7%) são exóticas invasoras. Por outro lado, a “invasão” de pássaros raros mostra que ainda há enorme capacidade de atrair fauna e, consequentemente, um imensurável potencial turístico.

O #Colabora teve acesso exclusivo aos dados do “Estudos de flora e fauna como subsídios à revitalização ambiental do Parque do Flamengo”, elaborado pela Biovert Florestal e Agrícola Ltda., como parte das compensações ambientais do grupo BR Marinas, e entregue à prefeitura do Rio no dia 14 de outubro. Entre as dez espécies de árvores mais numerosas no parque seis são exóticas e quatro, nativas.

A árvore mais prevalente no Aterro é a munguba, nativa do México, América Central e Antilhas e comum no Maranhão e principalmente na região Amazônica. As amendoeiras, originária da Malásia, invasora em regiões costeiras e malquistas em parques, por tirar espaço de espécies nativas, ficam em segundo lugar. Das 176 espécies encontradas pela pesquisa da Biovert no espaço idealizado por Maria Carlota, a “Lota”, de Macedo Soares, apenas seis são ameaçadas de extinção, como a Paubrasilia echinata (mais conhecida como pau-brasil), com 87 unidades, e a Sideroxylon obtusifolium, a quixabeira, com 65.

– Fica evidente que o Parque do Flamengo perde em variabilidade genética, já que espécies relevantes possuem um baixo número de indivíduos, como é o caso do cedro, Cedrela fissilis, espécie ameaçada que está representada por uma única árvore. A grande presença de amendoeiras chama a atenção. O problema não é a árvore em si. É a sua localização em locais inadequados. Não há controle da dispersão do fruto e isso torna-se um problema – diz o coordenador do projeto e engenheiro florestal Marcelo Carvalho, da Biovert.

Acometidas por doenças ou pela falta de adaptação ao clima do Rio, muitas árvores do Parque do Flamengo foram morrendo ao longo dos anos. Marcelo conta que, em 1965, o paisagismo de Burle Marx estabeleceu a meta de plantio de 16 mil árvores. Ao final dos anos 1980, o botânico Luiz Emygdio de Mello Filho contabilizou aproximadamente 12 mil indivíduos arbóreos. Nos anos 2000, eram cerca de 10.500. Atualmente são exatas 9.930 árvores.

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