Foto: G1

Depredação: a grande vilã da arborização pública

O calor chegou antes do verão, novamente. Esta é a época em que procuramos a maior árvore da rua para nos abrigar do sol, estacionar o carros, esperar o ônibus, mas também o período que mais nos perguntamos: “Onde estão as árvores?”

Você já pensou que muitas vezes as árvores que poderiam estar fazendo sombra e amenizando o calor não tiveram chance de se desenvolver?  As mudas plantadas em arborização urbana seguem a determinação da legislação com relação ao porte mínimo para plantio. Mas há algo que não está previsto na legislação e causa muito transtorno: a depredação.

Conversamos com Carlos Magno, engenheiro agrônomo da Biovert, sobre o tema. Veja, abaixo, a entrevista:

Qual a incidência de depredação de mudas de árvores utilizadas em arborização urbana?
Carlos Magno – Não temos dados oficiais sobre esse índice, mas pela experiência de nossa equipe em projetos dessa natureza, em torno de 10 a 15% das árvores que são plantadas em praças e canteiros centrais são danificadas. Em vias públicas, a depredação é muito maior e chega a atingir 60% em determinadas áreas da cidade.

árvore utilizada em arborização pública
Árvore no porte exigido pela legislação plantada em um canteiro na Barra da Tijuca. Apesar de altas, as árvores não possuem os troncos resistentes o suficiente para escaparem de atos de vandalismo. (Foto: arquivo Biovert)

O que você considera como depredação nesses índices?
Carlos Magno – Uma ação de dano de terceiros à planta que causa a sua morte, tais como quebra da muda, atropelamento, retirada do tutor (o bambu que se coloca para fixar a planta).

Qual o porte mínimo que a muda precisa ter para ser utilizada em arborização pública?
Carlos Magno – Nos serviços de plantio urbano, as árvores são plantadas com porte de 2,5m, como determina a legislação.

Se não depredadas, em quanto tempo as mudas estariam em porte suficiente para gerarem sombra?
Carlos Magno – Isso depende da espécie. Algumas como oiti, ingá, araribá, aldrago, pau-ferro e sibipiruna atingem um porte considerável em 5 anos. Nessa fase elas já têm a copa grande o suficiente para gerarem sombra.

É verdade que na fase de desenvolvimento as árvores realizam sequestro de carbono em mais quantidade do que árvores adultas?
Carlos Magno – Sim. Ao contrário do que muitos pensam, esse serviço essencial de captura de carbono ocorre em maior grau na fase de desenvolvimento da árvore, ou seja, antes de sua fase adulta.

Quais são as funções ecológicas das árvores nas cidades?
Carlos Magno – Elas reduzem a temperatura do ambiente, devido ao processo de evapotranspiração (que libera umidade no ar) e capturam gases como o dióxibo de carbono (o principal responsável pelo efeito estufa) por meio da fotossíntese. Além disso, é claro, elas promovem sombras e embelezamento do passeio público.

A arborização urbana é um serviço público?
Carlos Magno – Ela é paga pela iniciativa privada em cumprimento a Medidas Compensatórias e Habite-se, por determinação de órgãos públicos. É obrigatório plantar árvores para compensar danos ambientais, por exemplo, para concessão da licença Habite-se, aquela obrigatória para entrega de um empreendimento comercial ou residencial. No Rio de Janeiro, a regulamentação da arborização pública fica a cargo da Fundação Parques e Jardins.

Há algo que você queira complementar?
Carlos Magno – A estação que traz as chuvas (Verão) tende a ser o melhor período para plantios, pois a irrigação das mudas acontece de maneira natural e há maior chance de sobrevivência das novas árvores. A população precisa ter consciência sobre a importância de preservar as árvores jovens e zelar pela sua manutenção e sobrevivência. Antes de ser uma questão de consciência ambiental, não depredar árvores é uma questão de educação e civilidade.

Fica a dica!

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