Biodiversidade. Crédito de imagem:

Biodiversidade: o que é e os riscos que corre

Biodiversidade, ou diversidade biológica, é o termo utilizado para descrever a variedade de espécies conhecidas no mundo. A biodiversidade inclui plantas, animais e microorganismos.

As espécies que fazem parte de um determinado ecossistema compõem a biodiversidade daquele local, como é o caso das espécies florestais da Mata Atlântica, por exemplo.

A diversidade genética foi o que permitiu aos seres e plantas se desenvolverem nos mais diversos locais do mundo. As características adaptativas que uma forma de vida precisa ter para se desenvolver nos desertos é diferente do que necessita para existir nas tundras e também das condições necessárias à sobrevivência em áreas úmidas e quentes, como é o caso da Amazônia. Isso faz com que as espécies presentes em cada uma dessas áreas tenham características únicas e adaptadas àquelas regiões.

A Biodiversidade é gigantesca. Para se ter ideia, estima-se que o número de espécies existentes no mundo chegue a 50 milhões, mas apenas 1,5 milhão já foi indentificada por cientistas.

Apesar dessa riqueza, a Biodiversidade mundial está ameaçada e isso não é novidade. A urgência de frear a perda de biodiversidade mundial fez com que 160 países assinassem, em 1993, a Convenção da Biodiversidade Biológica, primeiro instrumento legal para assegurar a conservação e o uso sustentável de recursos naturais.

A convenção é resultado dos encontros promovidos no ano anterior, no Rio de Janeiro, por ocasião da Eco92. Apesar disso, sabemos que questões políticas e financeiras entre as nações vão de encontro ao tema ambiental, que não encontrou, ainda, saída integrada e eficiente para sua aplicação.

Dentre as ameaças à biodiversidade, queremos destacar neste texto dois riscos principais e suas consequências; a poluição e a proliferação de espécies exóticas invasoras.

Poluição
Recentemente foram publicadas notícias alarmando o branqueamento de corais na grande barreira de corais, na Austrália, que tem se agravado anualmente. O branqueamento representa a morte desses organismos que habitam as estruturas dos corais, e ocorre devido a fatores como alteração da temperatura da água e pelo aumento da acidez dos oceanos – ocasionada pela dissolução de gás carbônico na água.

Mas não precisamos ir tão distante para falar sobre esse problema. No estado do Rio, mais especificamente nas regiões de Paraty e Angra dos Reis, estima-se que cerca de 15% dos corais já morreram em função de problemas climáticos.

Apesar da imobilidade, os corais são a base para toda uma vida marinha e um grande berçário natural, pois promovem um ambiente propício para o desenvolvimento de diversas espécies e proteção natural para outras. Corais são cnidários, assim como as águas vivas, porém têm um estilo de vida diferente; eles vivem presos em rochas capturando o alimento com seus tentáculos.

Os corais apresentam um esqueleto externo feito apenas de carbonato de cálcio, que não tem coloração alguma. São as algas, portanto, que dão as cores vivas destes organismos e a coloração que obtém é relacionada aos microorganismos que se fixam em suas estruturas, promovendo um ecossistema riquíssimo.

Espécies exóticas invasoras
Já comentamos em um post anterior sobre os riscos à biodiversidade que as espécies exóticas invasoras representam. As invasões biológicas são atualmente a segunda maior causa de perda de biodiversidade no mundo, ficando atrás apenas da destruição dos habitats. Espécies exóticas são aquelas que não pertencem a determinado ecossistema.

Ao serem inseridas, podem apresentar comportamento noçivo, em baixo ou alto grau, àquela região, ocasionando um desequilívrio da biodiversidade local. Por exemplo: ao plantar árvores exóticas num determinado território, pode ocorrer o afugentamento dos pássaros daquela região, que não conseguirão encontrar naquela espécie de árvore os alimento adequado à sua dieta. Isso pode ocorrer para espécies florísticas mas também para a fauna.

Para tornar a situação ainda mais complicada, existe o risco de que as espécies exóticas apresentem comportamento invasor, o que é desastroso para a biodiversidade local. Um caso bem conhecido é o da importação do sapo cururu pelo governo da Austrália, com objetivo de controlar uma peste nas plantações de cana-de-açúcar no nordeste do país. O animal revelou-se um predador voraz dos répteis e anfíbios da região, tornando-se um problema a mais para os produtores, e não uma solução.

Para trazer para a realidade nacional, na cidade do Rio de Janeiro, já se combatem a proliferação de espécies arbóreas invasoras, dentre elas a Leucena (Leucaena leucocephala), originária da América Central. Pelo seu rápido crescimento e capacidade competititva, inclusive resistência à seca, a Leucena foi recomendada, em décadas passadas, como uma espécie a ser utilizada em projetos de reflorestamento de encostas. Nessas áreas se enfrentavam problemas com o capim-colonião, altamente comburente, que promovia queimadas afetando também a vegetação nativa.

Por se alastrar rapidamente e formar um largo dossel, a leucena parecia ser uma aliada no combate ao capim-colonião, pois seu rápido alastramento promovia sombra, a maior inimiga do referido capim. Mas o efeito colateral não era esperado. Assim como aconteceu na Austrália com os sapos cururu, a Leucena se proliferou descontroladamente e assumiu um papel invasor, competindo com espécies arbóreas nativas em todo o Estado do Rio de Janeiro.

A espécie conta com um eficiente e agressivo mecanismo de dispersão de sementes, que são produzidas em abundância e lançadas naturalmente no entorno da árvore-mãe, colonizando seu entorno. Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a Leucena entrou na lista das 100 piores espécies invasoras do mundo e é conhecida por ser causadora de perda de biodiversidade também em outros países, como Fiji, Indonésia e Filipinas.

Entre os especialistas, o Brasil é considerado o país da “megadiversidade”: aproximadamente 20% das espécies já conhecidas no mundo estão aqui. A responsabilidade do país com a preservação da Biodiversidade é enorme devido a este vultuoso número. Pesquisadores, professores, empresas privadas, ONGs e órgãos públicos ambientais têm iniciativas louváveis para conter os avanços da perda de Biodiversidade. No entanto, assim como ocorre na natureza, o equilíbrio entre as espécies depende da ação simbiótica de diversos agentes, o que claramente não conseguimos atingir, ainda.

Fontes:
http://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/questoes_ambientais/biodiversidade/
https://www.biologiatotal.com.br/blog/o+branqueamento+dos+corais-341.html
http://seconser.niteroi.rj.gov.br/leucena-uma-aliada-que-se-tornou-vila/
http://www.icmbio.gov.br/portal/images/stories/o-que-fazemos/proj_apoiados/resumo_projeto_2955.pdf

Crédito de imagem:
https://www.youtube.com/watch?v=GK_vRtHJZu4

Related Post