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“Minha terra tem palmeiras…” Extração de palmito pode destruir uma das árvores símbolo do Brasil. Consumo consciente é o caminho

Plantação de Palmito Pupunha (foto: Uagro.com.br)

Há poucas semanas foi noticiado mundialmente um apelo feito pela Ministra do Meio Ambiente da França, Ségolène Royal, para que a população parasse de consumir a Nutella, um creme à base de avelã e óleo vegetal produzido pela empresa Ferrero. Segundo a ministra, a fabricação do alimento contribui para o desmatamento, já que o óleo vegetal que é matéria-prima do alimento é extraído da palma, uma planta cultivada principalmente na Indonésia e na Malásia, países que têm sofrido processos acelerados de desflorestamento.

No contexto de consumo responsável, como o que foi evocado pela ministra francesa, falaremos um pouco sobre o palmito, um alimento muito consumido no Brasil mas que precisa ser manufaturado de maneira consciente. O palmito é a parte terminal do caule, macia e branca, envolvida pelas bainhas das folhas, próxima ao gomo de crescimento. Ele é extraído de palmeiras nativas brasileiras, tais como o açaí, a pupunha, o buriti e a juçara.

A maior parte do palmito consumido no Brasil é extraído da Juçara (Euterpe edulis), uma palmeira típica das florestas pluviais das regiões litorâneas, mais comumente encontrada da Bahia ao Rio Grande do Sul. A juçara é fonte de alimento para a fauna nativa, tais como tucanos, jacutingas, periquitos, sabiás, tiês e mamíferos como macacos. Essa palmeira, no entanto, não resiste ao processo de extração do palmito. Isso significa que, para retirar um pedaço de aproximadamente 30cm, árvores de quase 15m são destruídas. Para piorar o cenário, um único extrator de palmito juçara pode cortar mais de 200 árvores por dia.

Estamos defendendo que o brasileiro pare de consumir palmito? Não. Mas temos duas orientações a quem busca um consumo consciente desse alimento:

1) Evite comprar o alimento in natura que é vendido por extratores em barracas improvisadas à beira de estradas ou em locais que não apresentem informações sobre sua origem, como rótulos e o selo do Ministério da Agricultura. Essas informações indicam que o processo de plantio e extração é legal e fiscalizado.

2) procure substituir o consumo do palmito juçara pelo pupunha, facilmente encontrado em supermercados, pois essa espécie possui capacidade de regeneração após a extração do alimento em função do perfilhamento da planta-mãe. Isso permite repetir os cortes nos anos subseqüentes sem necessidade de replantio. Para simplificar o entendimento, é como se o pupunha tivesse vários “troncos”, ao contrário de um tronco único como o do juçara, logo, removendo parcialmente esses “troncos” a palmeira é capaz de se regenerar. Por esse motivo (a preservação da planta-mãe), a extração do pupunha causa menos dano ambiental. Para saber como diferenciar o juçara do pupunha, basta verificar a informação no rótulo do produto.

Outro dado importante para o seu conhecimento: a palmeira juçara (Euterpe edulis) integra a listagem de espécies da Flora Ameaçada de Extinção do MMA (2014). Pequenas atitudes podem fazer a diferença. Compartilhe!

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