Quatro curiosidades sobre árvores do Rio de Janeiro

O post de hoje é para quem gosta de curiosidades sobre a natureza, mais especificamente sobre o Rio de Janeiro. Vamos lá?

1) Uma raridade entre nós: Campo de Santana, no Centro do Rio, abriga um exemplar da raríssima Árvore do Imperador

Árvore do Imperador do Campo de Santana, RJ. Imagem: Prefeitura do Rio de Janeiro
Árvore do Imperador do Campo de Santana, RJ. (Foto: Prefeitura do Rio de Janeiro)

(Chrysophyllum imperiale) com idade estimada em 150 anos! É uma espécie da região de Mata Atlântica, de grande porte, madeira dura e frutos saborosos. Não é por acaso que recebeu este nome: era muito apreciada pelo imperador D. Pedro I e também por seu filho, D. Pedro II. A espécie está na chamada Lista Vermelha de árvores ameaçadas de extinção. Há poucos exemplares desta árvore no Brasil e no mundo. Em todo o estado do Rio de Janeiro, a mais antiga, com idade estimada em 300 anos, foi localizada em Cachoeiras de Macacu. Por aqui, você pode visitá-la indo ao Campo de Santana ou subindo a Serra até o Museu Imperial de Petrópolis, onde existe um exemplar ainda jovem, plantado em 2013. Dom Pedro I, que era apreciador da Botânica, enviou exemplares da Árvore do Imperador a alguns Jardins Botânicos do mundo também. Se você estiver por Sydney, na Austrália, por exemplo, pode procurar pela Royal Tree. Presente de Dom Pedro!

2) Algumas árvores espalhadas pelo Rio de Janeiro…. Fedem!

Sterculia foetida com o vermelho vibrante que a fez ser adotada como planta ornamental no Brasil.
Sterculia foetida com o vermelho vibrante que a fez ser adotada como planta ornamental no Brasil.

Você não leu errado! Sabe aquele cheiro ruim que algumas vezes você sente na rua? Pode ser culpa da árvore e não do esgoto. Existe uma espécie chamada Sterculia foetida L. (o nome já indica) que produz um odor putrefato muito desagradável, similar ao da carne em decomposição, que maltrata as narinas mais sensíveis. Essa árvore é uma espécie exótica (não originária das florestas brasileiras) trazida de regiões da América e da África, principalmente para uso ornamental, por suas bonitas flores vermelhas. Ela foi equivocadamente utilizada em plantios urbanos ao longo dos séculos na cidade do Rio. Felizmente, hoje já não se plantam árvores dessa espécie na cidade. Apesar disso, alguns exemplares ainda são encontrados, por exemplo, em Campo Grande e nos bairros do Leblon e da Glória.

3) Árvore Exótica invadiu a cidade

Destaque para as vagens da leucena, que são repletas de sementes.
Destaque para as vagens da leucena, que são repletas de sementes.

A Biovert realiza inventários florísticos e classifica cada exemplar encontrado nas áreas pesquisadas. Graças a esse minucioso trabalho, fomos capazes de gerar informações interessantes de serem compartilhadas. Por exemplo: em 2015, nossos engenheiros inventariaram mais de 21 mil árvores (quase 58 árvores por dia!) de 268 espécies espalhadas por 40 localidades – abrangendo Rio, Grande Rio e Região Serrana. Das 268 espécies listadas, 3.912 indivíduos (mais de 18%) eram Leucaena leucocephalauma espécie exótica invasora que é originária da América Central e se prolifera aceleradamente, representando uma ameaça às espécies arbóreas nativas.

4) Árvores à moda Aterro do Flamengo

ipê amareloNo Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro, um observador atento deve perceber que, em determinadas épocas do ano, as árvores estão predominantemente floridas e, em outras, todas perdem as folhas. Este comportamento homogêneo na maioria das vezes não é observado em árvores localizadas em diferentes áreas da cidade. Isso ocorre porque grande parte das espécies plantadas pelo paisagista Roberto Burle-Marx naquele parque são exóticas, trazidas de países onde o clima é bem marcado pelas quatro estações do ano. Por esse motivo, há plantas adaptadas a diferentes períodos climáticos. As espécies nativas da Mata Atlântica brasileira, ao contrário disso, seguem a dinâmica do nosso bioma, que tem apenas duas estações: a das chuvas e a das secas.

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