(foto: acervo Biovert)

Alimentar o mico-estrela. Pode ou não pode?

(foto: nathaliabrant / Flickr)

Sempre que visitamos parques e avistamos o simpático mico-estrela, nosso primeiro pensamento é alimentá-lo. Aqueles pequenos seres, algumas fêmeas com filhotes, parecem saber que não resistiremos ao seu charme sem estender a mão com um pedaço de fruta ou biscoito. Normalmente, próximo desses macacos avistamos placas com os dizeres “Não alimente os animais”.

O primeiro pensamento que temos é de que a placa se destina a proteger os animais de possíveis infecções digestivas por comer algo inapropriado . Assim sendo, tendo nas mãos uma fruta, por exemplo, entendemos que não faremos mal ao animal e oferecemos nosso pedaço de comida a ele. Certo? Errado!

As placas que sinalizam a proibição de alimentar os animais têm o objetivo de proteger os bichos de consumirem alimentos humanos, que podem fazer mal à saúde deles, mas principalmente de evitar a superpopulação. Ao dar comida, estamos contribuindo para que eles reproduzam mais, pois passam menos tempo procurando o que comer.

A Bióloga da equipe Biovert, Luana Azamor, explica: “Infelizmente, a maioria dos micos (Callithrix spp.) que encontramos pelas ruas não ocorre naturalmente na nossa Mata Atlântica, sendo consideradas espécies exóticas invasoras aqui no Rio de Janeiro. Ainda sabemos pouco sobre os processos envolvidos na perpetuação dessas espécies, mas alimentar esses micos pode interferir no tamanho de seus grupos, podendo causar desequilíbrios populacionais e facilitar o processo de invasão. A aproximação com humanos é um grande problema, tanto para o animal quanto pra nós, pois permite a transmissão de doenças e parasitas que antes não ocorriam, como herpes transmitido aos micos e a raiva transmitida aos humanos. Além disso, alimentos de baixo valor nutricional, como pães e biscoitos, podem também afetar diretamente à saúde do animal, pois não fazem parte do seu cardápio natural que inclui gomas de árvores, frutas, ovos de aves e pequenos animais”.

Agora já sabemos que não devemos dar comida os micos, mesmo que os vejamos em ruas, onde não existem placas informativas como nos parques. Não importa o local em que eles estejam, o importante é não alimentá-los, para que eles consumam apenas o que a natureza oferecer. Mas, antes de encerrarmos o assunto, fica o alerta da Bióloga: “Nunca devemos pensar em exterminar esses animais, pois trata-se de um problema que deve ser planejado e  resolvido pelas autoridades competentes no assunto, como o poder público, os cientistas e as ONGs. Chegar muito próximo deles também nunca é uma boa opção, pois sendo animais silvestres não podemos prever eventuais mordidas ou qualquer comportamento inesperado”.

De hoje em diante, quando avistar o mico-estrela, guarde o lanche, pois ele saberá onde encontrar a comida. No lugar do biscoito, pegue a câmera e faça uma foto. Isso vale para todos os demais animais que avistamos livremente na natureza.

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